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Perspectivas de mercado

Substituíram pessoas por IA. Agora pagam caro para recontratá-las.

Por Flavia Arruda Salinas · 9 de outubro de 2026

Capa da cliente: arte conceitual de um robô de perfil diante de silhuetas em um escritório e o título “Profissionais demitidos por causa da IA e agora as empresas estão recontratando”.

Capa editorial fornecida pela cliente; arte ilustrativa, não representa edifício, projeto ou pessoa reais. · Flavia Arruda Salinas

A IA não demitiu ninguém. Quem demitiu foram empresas que calcularam mal a rota. A conta chegou em forma de clientes insatisfeitos, falhas operacionais e o custo de trazer de volta quem tinha sido dispensado. O fenômeno já tem nome no mercado americano: “AI boomerang”.

Os casos não são isolados. A Ford recontratou e promoveu mais de 350 engenheiros experientes depois que sistemas automatizados de controle de qualidade não conseguiram reproduzir o olhar de quem conhecia a fábrica. A IBM vai triplicar a contratação de nível inicial nos EUA, inclusive para funções que, segundo o discurso da moda, a IA faria sozinha. A Klarna admitiu publicamente que trocar atendentes por chatbot derrubou a qualidade do serviço.

Os números confirmam. Pesquisa da Careerminds com 600 profissionais de RH mostra que duas em cada três empresas que fizeram cortes atribuídos à IA já estão recontratando. Para cerca de 31% delas, recompor as equipes custou mais do que as demissões economizaram. A Forrester aponta que 55% dos empregadores se arrependem.

Minha leitura, como economista: é um erro clássico de precificação. Calcula-se o custo da folha de pagamento. O custo do erro fica fora da planilha.

Vivi isso recentemente. Perdi o acesso à conta de um provedor de tecnologia que hospeda meu domínio e meu site profissional. A redefinição de senha não funcionava, e o sistema só respondia “usuário não encontrado”. Quem atendeu foi um agente de IA. Foram vários e-mails de ida e volta até surgir uma solução com prazo de 48 horas, acompanhada de um pedido de desculpas. Para quem depende da presença digital, dois dias fora do ar não são um detalhe.

No mercado imobiliário, a lição pesa mais. A legislação da Flórida (Capítulo 475, F.S.) exige do profissional licenciado honestidade, prestação de contas de valores recebidos, habilidade, cuidado e diligência. Essa responsabilidade não se terceiriza para um algoritmo.

Tecnologia faz parte da rotina: análise de dados, pesquisa, organização. Já negociação, leitura de contexto e responsabilidade pela orientação continuam sendo trabalho humano. E licenciado.

A tecnologia que dá certo amplia o profissional. A que tenta substituí-lo, ao que tudo indica, sai mais cara.

Fontes

  1. CNBC (01/07/2026)
  2. Fortune, CHRO da IBM (13/02/2026)
  3. Fortune/Bloomberg, CEO da Klarna (09/05/2025)
  4. Careerminds (fev/2026), via Forbes (24/04/2026)
  5. Forrester, “Future of Work 2026”, via The Washington Times (10/03/2026)
  6. Florida Statutes, Cap. 475, §475.278 (leg.state.fl.us)